Destaque do Paraíso do Tuiuti lança livro na sexta-feira

Em comemoração aos 10 anos da figura emblemática do carnaval carioca Samile Cunha, na próxima sexta-feira dia 21 às 18:15h na livraria da cultura, localizada na Rua Senador Dantas Nº 45, será lançado o livro “Samile Cunha: Transconexões, memória e heterodoxia“, pela editora Rio Books, o livro descreve a questão dos gêneros, transformismo no carnaval, da drag queen na vida da Samile, personagens e muito mais. 

 

Embaixatriz Samile Cunha 

 

“Através de uma brincadeira do carnavalesco Milton Cunha, surge à personagem “Dalva Garça Dourada” em homenagem a uma chacrete, que tem esse nome e que mora nos Estados Unidos, o Milton Cunha estava trabalhando um enredo para o carnaval de 2004 na São Clemente, no final do mês de novembro de 2003 ele me chamou e pediu que eu desfilasse de chacrete, achei divertido e aceitei o convite, então, criei a “Dalva” que fez muito sucesso, porém, no ano seguinte, por ser um outro enredo, a “Dalva” deu lugar a figura transgenia “Samile Cunha” que é um misto de transformista, travesti e drag queen , se destacando e se firmando no carnaval”. Comentou Samuel Abrantes.

 

A personagem Samile Cunha só ganha vida ao anoitecer, de dia fica guardada em uma caixa e algumas gavetas, sempre que há um evento de carnaval, ela sai da caixa para representar a embaixada das caricatas, onde recebeu o “título” de Embaixatriz pelo presidente Adagoberto Arruda que faleceu esse ano. 

 

Destaque principal do terceiro carro que representará o canibalismo, Samile Cunha, vai encarnar uma diaba antropofágica, um misto de demônio, fogo e índio, na confecção da fantasia, serão utilizados penas de pato que já estão sendo cortadas, pintadas, tingidas, envelhecidas e adereçadas, para complementar, um material de sobras de tecidos simulando galhos de árvores e plantas está sendo transformado.

 

Samuel Abrantes 

 

Samuel Abrantes iniciou a carreira no carnaval em 1979 pela já extinta escola de samba Império de Campo Grande onde foi carnavalesco, com o passar dos anos em 1982 conheceu um grupo de professores que desfilavam em um bloco de carnaval chamado “Chuchu do Engenho de Dentro”, através desse bloco carnavalesco, conheceu a professora e então porta-bandeira do bloco, Nilda Salgueiro que o levou para desfilar no Acadêmicos do Salgueiro e no mesmo ano desfilou na Vila Isabel levado pelo esposo de Nilda, o Sr Wilson Ferreira, onde, durante anos se dividiu desfilando nas duas escolas. 

 

Samuel se formou no curso de Letras com habilitação em português/grego na UFRJ, possui mestrado em História da arte pela Escola de Belas Artes da UFRJ e doutorado em Semiologia na UFRJ, atualmente é professor de indumentária da escola de belas artes da UFRJ, pesquisador e escritor. Conheceu o carnavalesco Jack Vasconcelos em sala de aula, como seu aluno e desde então, acompanha o desenvolvimento do trabalho do ex-aluno em toda a sua trajetória no carnaval por todas as escolas que passa. 

 

Pesquisa de material para a confecção do carnaval 

 

Há mais de 10 anos ministrando a disciplina “oficina textil” na escola de Belas artes da UFRJ, onde desenvolve toda a pesquisa de material, sempre se preocupou com a sustentabilidade no carnaval, em 2003 convidou o aluno Jack Vasconcelos para trabalhar em conjunto na confecção e montagem dos protótipos do carnaval da Mocidade Independente de Padre Miguel sobre a doação de órgãos, naquela época percebeu que devido à escassez de materiais que pudessem representar os órgãos do corpo humano, começou a trabalhar com veladuras e outros tipos de materiais, naquele momento o olhar foi aprimorado surgindo uma nova técnica, todo conhecimento que foi adquirido em sala de aula pode ser usado no carnaval, naquele ano foi última vez que Mocidade Independente de Padre Miguel recebeu notas máximas em fantasia, enaltecendo todo trabalho árduo de pesquisa de materiais.

 

Hoje em dia o trabalho foi aprimorado e continua beneficiando diversos tipos de materiais, transformando sobras e materiais novos, em algo que pode ser usado no carnaval, é a reciclagem caminhando em conjunto com a sustentabilidade, no próximo carnaval, como exemplo de reciclagem e sustentabilidade de novos materiais, vai utilizar sobra de aba de chapéu para criação de novas texturas e na criação de flores e plantas artificiais, raramente utiliza um tecido novo que é comprado na loja, sempre em busca constante de materias que possam ser reaproveitados ou transformados.

 

Serviço:

Lançamento do livro: “Samile Cunha: Transconexões, memória e heterodoxia“,

Data: Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Horário: A partir das 18:15h

Local: Livraria da Cultura

Endereço: Rua Senador Dantas Nº 45, Centro -RJ

Entrada: gratuita


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